Os russos chegaram

Lembro de um tempo em que eu escondia chocolates Lollo e Laka, Sparkies e jujubas nas prateleiras e potes da cozinha. Depois veio o tempo de esconder sapatos. Vieram as bolsas que precisavam combinar com os sapatos. Chegaram as roupas, que em excesso (segundo a opinião de alguns) precisavam aparecer aos poucos e eram sempre de liquidação ou promoção. Depois vieram as telas, os pinceis, as tintas, os papeis de scrap, pastilhas de vidro, acessórios, ferramentas. Encaixotados e engavetados, davam o ar da graça de quando em quando. Óbvio que minha conta bancária e meu cartão de crédito me delatavam sem compaixão. Agora, me vejo com uma lista enorme de indicações e promoções de livros. E assim, chegaram os russos. E qual escritor ou leitor resistiria a 40% de desconto direto da editora? É por isso que Tolstóis, Leskovs, Tchekhovs e Dostoiévskis estão devidamente acomodados e quietos na minha sacola da academia, do lado esquerdo da cama do quarto de visitas. Como vou lê-los aos poucos, no problem. Meu consolo é que tudo, de Lollos a Tolstóis, são 100% aproveitados. O problema são meus delatores que continuam implacáveis, e eu, que continuo gostando deste tipo de emoção.

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