A morte

Certeza única na vida. Tenho acompanhado a lenta e agonizante partida do pai de uma amiga. Ele sofreu de um câncer devastador. Começou controlado, depois se descontrolou e se apropriou de todo seu corpo. Quando a dor se tornou insuportável e desumana, o pai dela partiu. Nesta madrugada. Neste período, ela e eu trocamos mensagens, telefonemas, impressões, consolo. Pouco se pode fazer, quando a morte aponta o dedo e define. Todos iremos um dia. Lembro da morte agonizante de meu pai. Por isso, sei da dor e do alivio dela. A morte tem esta dupla faceta. Pra quem fica, a saudade. Pra quem vai, o descanso. Eterno ou não, o descanso das dores do viver. Lembro de outras pessoas que partiram. Algumas cansadas de viver, envelhecidas pelo tempo, pelas perdas, pela vida. Outras, por não saberem viver. A vida é frágil e precisa ser cuidada, preservada. Tem que ter sorte também: são tantas as doenças, os vírus, as bactérias… Quando chega a hora, o dedo da morte se ergue em riste e aponta. Nossa vez também chegará.

Não é uma coisa que penso muito, mas penso.

Como todo mundo, peço que a morte seja rápida e rasteira. Misericordiosa. Nestas horas lembro do conforto da religião, na promessa de algum tipo de continuidade: a vida eterna, a reencarnação. Acredito em ambas, pois me parecem complementares. Quero acreditar que vou rever meu pai, avós, amigos, gente querida que se foi. Quero acreditar que vou ter outra chance de ser, fazer ou ter o que nesta vida – por mais que tentasse e me esforçasse – não consegui ser, ter ou fazer. A vida também aponta o dedo e define. Destino ou não, carma ou não, todos viemos por algum motivo. Todos partiremos quando o motivo por termos vindo não existir mais.

Acredito nestas coisas. Aliás, quando o assunto é a morte, acredito em tudo, ao mesmo tempo, não acredito em nada. A morte é e sempre será um assunto polêmico e espinhoso. Dela, ninguém retorna. Dela, ninguém recorda.

Por isso, tenho alguns lemas de vida que sigo, pra quando a morte chegar, não me arrepender do que fiz ou deixei de fazer.

O maior de todos os meus lemas é “Faça a Diferença” em tudo e com todos. Seja sempre autêntica e verdadeira, gentil e generosa, destemida e determinada, honesta e sincera, intensa e precavida. Faça o que você gosta, cuide do seu corpo, do seu espírito e sua alma. Seja grata e humilde. Respeite o outro, a natureza, a vida.

Faça sua passagem pela vida fazer a diferença. “Faça a Diferença”.

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