Arte em poesia

Fui crocheteira, tricoteira, bordadeira, tapeceira.
Linhas, lãs, agulhas e pontos me teceram meiga e carinhosa.
Acolhedora insaciável.
Aprendi a domar minhas entregas
pra não ser desperdiçada.
Me embrulhei em papeis, tesouras e estiletes
e recompus minha história em álbuns de retratos decorados.
Foram anos acertando pontas e redefinindo arestas.
Me apaziguei.
Perambulei por panos e fitas, letras e livros.
Me diluí nas tintas.
Vieram tempos desérticos e secos.
Dor. Decepção. Depressão.
Das paisagens áridas surgiram belezas.
Os cactos e as pedras
sopraram resistências e bravuras.
Dos espinhos vieram flores. Das pedras, esculturas.
Endureci.
Me impregnei de barro e pedra.
Fui ser ceramista e escultora.
Na paisagem, vislumbro muitos e novos tempos
O inóspito, como e desde sempre, me torneará.
Me bordará com novos fios.
No mosaico da vida, esperneio e encaixo. Aprecio a paisagem.
Das pedras ao ferro.
E depois ao pó.

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