Pra onde

Talvez não sejam as coisas que estava fazendo ou deixando de fazer. Querendo sem saber o que querer. Percebo que o que me incomoda é como ando fazendo as coisas acontecer. Mais pelos outros. Menos por mim. E aí me pergunto? Ainda tenho algo a provar para alguém? Ando farta de cobranças … quantos pacientes você está atendendo? … tem mais tinta no chão e nas paredes do que nas telas, não acha que já deu, que a tela está pronta? … como você consegue cozinhar numa cozinha tão bagunçada … porque você não guarda logo o que já usou, invés de deixar jogado pela bancada … cadê o pano de prato que já guardei trezentas e duas vezes no lugar. Vou sair daqui …

Foi? Graças a Deus!

Adoro trabalhar e produzir sozinha.

Sozinha pra fazer como e quando quero.

Cozinha tem de ter alquimia

Com um cem mil de louças à disposição, panos de prato a postos,

temperos, cor, cheiros e excessos e atribulação por todos os lados.

Só sei cozinhar assim:

tentando, errando, aprendendo. Experimentando.

Meu atelier de pintura repete a fórmula.

Brahms e Bethoveen dão o tom, o incenso perfuma … as tintas e as espátulas esparramadas vão se reencontrar tantas vezes quantas forem necessárias.

Quanto ao consultório … ele tem sido meu ponto de encontro comigo mesma.  Recomeçar nunca é fácil, é quase um soco no estômago.

Algum tempo atrás uma colega de profissão ao saber do meu retorno aos consultórios fez um comentário bem profético:

“a gente deve andar pra frente”.

Começo a compreender aquele comentário:

os poucos pacientes que atendi, os muitos movimentos que fiz (entre projetos, telefonemas, reuniões, eventos, apertos de mãos e outros tipos de ações) tem sido um “deja vu” incômodo.

Já fiz muito disso. Demais até.

Sobressaiu minha bendita irritação menopáusica.

As pessoas estão complicadas demais,

os pais se tornaram chatos e incoerentes,

as crianças pensam que são adultos em miniaturas,

as mulheres não aceitam levar um fora do namorado,

e os homens, de tão inseguros  que estão,

deveriam morrer em seus quartos jogando vídeo games.

Quanto a mim, sou o que restou do romantismo psicológico.

Por mais que tente e entenda, nos tornamos mero negócio.

A magia e o desconhecido andam perdidos por aí.

Vou ser detetive.

 

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